{"id":10054,"date":"2026-06-05T09:45:15","date_gmt":"2026-06-05T09:45:15","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=10054"},"modified":"2026-06-05T09:45:15","modified_gmt":"2026-06-05T09:45:15","slug":"greve-geral-uma-licao-de-dignidade-contra-o-governo-dos-patroes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/06\/05\/greve-geral-uma-licao-de-dignidade-contra-o-governo-dos-patroes\/","title":{"rendered":"Greve geral: uma li\u00e7\u00e3o de dignidade\u00a0contra o governo dos patr\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p>Apesar dos dias j\u00e1 saberem a ver\u00e3o, a segunda greve geral contra a proposta de reforma liberal apresentada pelo governo liderado por Lu\u00eds Montenegro come\u00e7ou numa noite fria. Perto da entrada do estaleiro municipal da Amadora, ouve-se o crepitar da madeira entre a algaravia das duas dezenas de trabalhadores que ali se concentram. Cid\u00e1lia Leit\u00e3o explica que decidiram aderir, uma vez mais, em peso \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o porque est\u00e3o contra o Pacote Laboral. Hoje, os filhos e netos decidiram acompanh\u00e1-la. \u201cQuero mais bem estar familiar porque acabo por n\u00e3o ter horas para estar com os meus. Tamb\u00e9m os meus filhos trabalham e juntos vamos derrotar o Pacote Laboral\u201d, assegura. De acordo com a CGTP-IN, os trabalhadores conseguiram paralisar completamente a atividade deste local de trabalho no turno noturno.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de acordar no dia anterior uma revis\u00e3o constitucional com o Chega, com v\u00e1rios especialistas a abrirem a hip\u00f3tese de ser a moeda de troca para uma eventual viabiliza\u00e7\u00e3o do Pacote Laboral por parte dos deputados de extrema-direita, o governo decidiu uma nova provoca\u00e7\u00e3o para a manh\u00e3 da greve geral. Agendou para 18 de junho, atrav\u00e9s do CDS-PP, com o apoio do Chega na confer\u00eancia de l\u00edderes na Asssembleia da Rep\u00fablica, a sess\u00e3o parlamentar sobre o diploma do Pacote Laboral, com um detalhe. Tentou faz\u00ea-lo com um debate limitado a 37 minutos, o limite m\u00ednimo poss\u00edvel para os debates na Assembleia da Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa mesma manh\u00e3, o governo tratou de tentar massificar a sua vers\u00e3o dos factos. Socorrendo-se a dados apresentados pelos patr\u00f5es, o objetivo era usar televis\u00f5es, r\u00e1dios e jornais ao seu alcance para consolidar a ideia de que a greve estava a ser um fracasso. Entre os discursos dos membros do executivo e dos representantes dos grandes grupos econ\u00f3micos e aquilo que se via nas ruas pareciam duas realidades inconcili\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao P\u00fablico, Gon\u00e7alo Lobo Xavier, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Empresas de Distribui\u00e7\u00e3o, afirmava que \u201cn\u00e3o h\u00e1 nenhuma loja fechada\u201d e que apenas \u201calgumas dezenas de trabalhadores do setor\u201d, dos 150 mil, estavam em greve. Contudo, s\u00e3o muitos os casos de supermercados fechados por todo o pa\u00eds como aconteceu na Amadora, Torres Novas e Alcochete, entre outros concelhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se nas grandes cidades parecia domingo, nos sub\u00farbios tamb\u00e9m. Estacionamentos que costumavam estar vazios durante o dia, estavam cheios. Por todo o lado, jardins de inf\u00e2ncia, escolas e tribunais fechados, hospitais apenas com os servi\u00e7os m\u00ednimos, museus encerrados. Grandes empresas tiveram de parar a produ\u00e7\u00e3o por todo o pa\u00eds. J\u00e1 a ministra do Trabalho, Palma Ramalho, garantia que a paralisa\u00e7\u00e3o era \u201cresidual\u201d no setor privado. Um rep\u00f3rter da CNN, canal que em conjunto com a TVI tentou contratar ilegalmente tr\u00eas rep\u00f3rteres de imagem para substituir trabalhadores em greve, atravessava a Ponte 25 de Abril em direto e tentava convencer os telespectadores que o tr\u00e2nsito flu\u00eddo \u00e0quela hora da manh\u00e3 era normal. T\u00e3o \u201cnormal\u201d como 90% dos rep\u00f3rteres de imagem deste \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social terem decidido fazer greve, assim como todos os jornalistas sem fun\u00e7\u00f5es de editoria nas sec\u00e7\u00f5es de economia, pol\u00edtica, internacional e sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o servi\u00e7o da ag\u00eancia Lusa, que alimenta a maior parte das reda\u00e7\u00f5es, parou por completo. Na RTP, as sec\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica, cultura e online amanheceram sem jornalistas e apenas um rep\u00f3rter de imagem apareceu em Lisboa, Faro e Coimbra.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem andasse de carro pelas ruas, via um pa\u00eds completamente diferente. N\u00e3o s\u00f3 por haver menos tr\u00e2nsito mas tamb\u00e9m porque, desde logo, ao sintonizar a Antena 1 ou a Antena 3, percebia que as duas emissoras s\u00f3 passavam m\u00fasica. \u00c0 Voz do Oper\u00e1rio, Lu\u00eds Peixoto, jornalista da Antena 1, uma das vozes que nos d\u00e1 as not\u00edcias diariamente, referiu que ningu\u00e9m compareceu ao turno da madrugada e que entre as 11 da manh\u00e3 e as tr\u00eas da tarde n\u00e3o houve quaisquer notici\u00e1rios, com programas a terem de ser cancelados. A trabalhar a partir do Porto, este trabalhador denunciou que, uma vez mais, a RTP recorreu a t\u00e9cnicos de empresas de outsourcing para substituir trabalhadores da empresa. A trabalhar na empresa p\u00fablica desde 2017 considerou que \u201caquilo que est\u00e1 em cima da mesa \u00e9 demasiado perigoso\u201d e que \u201cdiz respeito a toda a gente independentemente de estarmos a falar do setor p\u00fablico ou privado\u201d. Nesse sentido, recordou que fica em perigo o direito \u00e0 greve e que, \u201cnaturalmente\u201d, n\u00e3o podia aceitar uma situa\u00e7\u00e3o destas. \u201c\u00c9 preciso dar uma resposta firme antes das coisas virem a estar em vigor. \u00c9 preciso perceber isso. \u00c9 preciso perceber que \u00e9 preciso agir antes de sofrer na pele para que n\u00e3o se sofra na pele\u201d. Para al\u00e9m de estar solid\u00e1rio com todos os outros trabalhadores que tamb\u00e9m abdicaram do seu dia de sal\u00e1rio, \u201cmuitos deles com muita dificuldade e muito custo\u201d, considerou que estas altera\u00e7\u00f5es \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o laboral afetariam a pr\u00f3pria democracia portuguesa. \u201cTrata-se de um ataque \u00e0 democracia, de um ataque ao Estado de Direito, ao Estado social. E, por outro lado, h\u00e1 aqui um elemento que eu penso que \u00e9 facilmente identific\u00e1vel, que tem a ver com a persegui\u00e7\u00e3o que este governo est\u00e1 a fazer aos pobres e aos trabalhadores e isso v\u00ea-se, por exemplo, com estas altera\u00e7\u00f5es \u00e0 presta\u00e7\u00e3o social \u00fanica, \u00e0 quest\u00e3o do trabalho social. Ou seja, nenhuma destas medidas deve ser vista de forma isolada, deve ser encarada como um programa que este governo est\u00e1 a levar a cabo em defesa de quem j\u00e1 tem muito, em defesa dos grandes empres\u00e1rios, contra a maioria da popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A tarde em que a Greve Geral desceu \u00e0 rua<\/h2>\n\n\n\n<p>Eram tr\u00eas da tarde e j\u00e1 muitos trabalhadores em greve se concentravam no Rossio. O clima era de luta, mas tamb\u00e9m de festa. Todos tinham a certeza de que esta greve geral tinha superado a greve geral de dezembro do ano passado, \u201capesar desta ter sido s\u00f3 convocada pela CGTP\u201d, diz-nos Nuno Joaquim do STAD (Sindicato dos trabalhadores da Limpeza, Vigil\u00e2ncia, porteiros e outros servi\u00e7os). Nuno faz vigil\u00e2ncia na C\u00e2mara de Lisboa e refere que o seu setor de trabalho \u00e9 muito afetado com este pacote laboral\u201d. \u201cBastante\u201d, diz-nos. Sobretudo no que respeita ao banco de horas, \u201cporque a grande maioria dos servi\u00e7os s\u00e3o trabalho cont\u00ednuo,\u201d ou seja, se o pacote avan\u00e7asse os trabalhadores do setor iriam ser \u201csujeitos ao prolongamento dos hor\u00e1rios de trabalho e n\u00e3o seriam remunerados por isso\u201d. Nuno Joaquim garante que se o diploma fosse aprovado, os trabalhadores como recebem os subs\u00eddios de alimenta\u00e7\u00e3o por cada dia efetivo de trabalho, \u201cnos dias em que em que ficarmos em casa por vontade do patr\u00e3o, n\u00e3o recebemos alimenta\u00e7\u00e3o\u201d. Isto \u00e9, acrescenta, \u201cpassam os, trabalhadores a pagar para trabalhar, quando deveria ser o contr\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo \u00e0 sa\u00edda do desfile cruzamo-nos com Jos\u00e9 Manuel Oliveira, dirigente da Fectrans que nos fez ali, rapidamente o balan\u00e7o da greve no setor dos transportes. \u201cNos transportes h\u00e1 uma ades\u00e3o muito significativa, em alguns casos superior \u00e0quilo que foi a ades\u00e3o na greve geral em dezembro. Temos a CP reduzida \u00e0quilo que s\u00e3o os servi\u00e7os m\u00ednimos, as ades\u00f5es na CP est\u00e3o na ordem dos 90%, o metro est\u00e1 encerrado, a Carris apenas com servi\u00e7os m\u00ednimos. Nas oficinas a ades\u00e3o \u00e0 greve est\u00e1 na ordem dos 85%, na Transtejo circularam 3 barcos durante a manh\u00e3, mas h\u00e1 tamb\u00e9m uma forte ades\u00e3o. No setor a\u00e9reo, em Lisboa, h\u00e1 uma supress\u00e3o de cerca de 65% dos voos, no transporte rodovi\u00e1rio, h\u00e1 uma forte ades\u00e3o na parte sul, e na parte norte, temos ades\u00f5es superiores \u00e0 greve do dia 11 de dezembro. Ao n\u00edvel das empresas do interior do pa\u00eds chegamos a ades\u00f5es desde os 70% at\u00e9 aos 100%, no setor rodovi\u00e1rio e de passageiros, pensamos que efetivamente \u00e9 uma ades\u00e3o muito significativa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O desfile tinha arrancado e aquela ponta da manifesta\u00e7\u00e3o j\u00e1 dobrara a rua Garret a caminho do Largo de Cam\u00f5es, quando falamos com Carla Rosado do Sindicato do setor el\u00e9trico. Carla trabalha num call-center da EDP. Carla diz-nos que tem raz\u00f5es muito fortes para ali estar: \u201cN\u00e3o podemos trabalhar mais do que aquelas duas horas que j\u00e1 nos exigem sem serem pagas. E tamb\u00e9m n\u00e3o podemos deixar que os patr\u00f5es nos despe\u00e7am sem justa causa e sem direito. E, depois, mesmo que tenhamos raz\u00e3o, n\u00e3o podermos voltar ao trabalho\u201d. Mas h\u00e1 uma outra raz\u00e3o que a levou a fazer greve e ali estar no desfile decidida contra o pacote laboral: \u201cN\u00e3o podemos ter sal\u00e1rios baixos\u201d. Qual \u00e9 a m\u00e9dia de sal\u00e1rios no callcenter, perguntamos? \u201cA m\u00e9dia de sal\u00e1rio nesse Callcenter \u00e9 de 850 e oito horas de trabalho di\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E qual foi a ades\u00e3o \u00e0 greve no local de trabalho? \u201cFoi muito grande. Pena foi que n\u00e3o viessem todos \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o, mas foi maior do que a greve anterior. Fomos mais, muitos mais\u201d, garante.<\/p>\n\n\n\n<p>A manifesta\u00e7\u00e3o vai engrossando \u00e0 medida que se aproxima do destino que \u00e9 a Assembleia da Rep\u00fablica. Muitas das pessoas que est\u00e3o nos passeios est\u00e3o \u00e0 espera de encontrar camaradas de trabalho, ou o sindicato ao qual pertencem.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos j\u00e1 a descer a Cal\u00e7ada do Combro quando falamos com Mariana. Leva uma bandeira do Sindicato dos Psic\u00f3logos. Mariana explica-nos que os psic\u00f3logos trabalham em \u00e1reas diferentes, nas escolas, na sa\u00fade. Mariana trabalha no setor social, concretamente numa casa de acolhimento. \u201cOs psic\u00f3logos cl\u00ednicos, e mesmo noutras \u00e1reas, s\u00e3o trabalhadores prec\u00e1rios e n\u00e3o queremos que essa situa\u00e7\u00e3o se perpetue. N\u00e3o queremos que essa precariza\u00e7\u00e3o se perpetue e reflita nas pessoas que n\u00f3s cuidamos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra das raz\u00f5es que leva os psic\u00f3logos a chumbar este pacote laboral tem a ver com \u201cos n\u00edveis de exaust\u00e3o dos psic\u00f3logos e a desvaloriza\u00e7\u00e3o que temos sofrido. Este pacote laboral promove a exaust\u00e3o dos trabalhadores e n\u00e3o somos valorizados, n\u00e3o temos carreiras em lado nenhum, os nossos direitos n\u00e3o s\u00e3o reconhecidos e, portanto queremos poder trabalhar com condi\u00e7\u00f5es dignas e este pacote laboral faz com que as nossas condi\u00e7\u00f5es de trabalho que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o boas andem ainda mais para tr\u00e1s\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos quase a chegar a S. Bento e a cauda da manifesta\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o saiu do Chiado. A mancha de manifestantes percorre toda a cal\u00e7ada do combro estende-se pelo Largo Cam\u00f5es e ainda h\u00e1 gente a passar em frente ao Caf\u00e9 Brasileira. S\u00f3nia Pires \u00e9 professora no Seixal e vem no grupo do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa. \u201cA minha escola fechou\u201d, diz-nos. Para a S\u00f3nia h\u00e1 \u201cv\u00e1rias raz\u00f5es muito fortes para fazer esta greve. Em primeiro lugar nem estamos sequer a lutar por novos direitos, estamos a lutar por manter os poucos que j\u00e1 temos. Seja no acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, seja no sal\u00e1rio, seja na carreira\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O largo defronte \u00e0 escadaria da Assembleia da Rep\u00fablica era j\u00e1 pequeno para tanta gente que ali se ia concentrando. Mas muita mais gente, em todo o pa\u00eds, j\u00e1 havia manifestado de forma ainda mais expressiva do que em Dezembro, o rep\u00fadio por este Pacote Laboral da lavra deste Governo mas com o apoio de toda a direita (inclu\u00eddo o Chega e Iniciativa Liberal).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto o governo empurra o pa\u00eds para o p\u00e2ntano anti-democr\u00e1tico a reboque da extrema-direita, os trabalhadores pararam o pa\u00eds numa demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a contra a proposta de reforma da legisla\u00e7\u00e3o laboral. De norte a sul, fez-se sentir a indigna\u00e7\u00e3o com a prepot\u00eancia e arrog\u00e2ncia de Lu\u00eds Montenegro e a certeza de que a luta n\u00e3o vai ficar por aqui.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":10055,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[55],"tags":[],"coauthors":[71,184],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10054"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10054"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10054\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10057,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10054\/revisions\/10057"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10055"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10054"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10054"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10054"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=10054"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}