{"id":10001,"date":"2026-05-09T17:37:45","date_gmt":"2026-05-09T17:37:45","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=10001"},"modified":"2026-05-09T17:56:05","modified_gmt":"2026-05-09T17:56:05","slug":"se-houver-uma-guerra-amanha-lembrem-se-que-tudo-o-que-queriamos-era-viver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/05\/09\/se-houver-uma-guerra-amanha-lembrem-se-que-tudo-o-que-queriamos-era-viver\/","title":{"rendered":"\u201cSe houver uma guerra amanh\u00e3, lembrem-se que tudo o que quer\u00edamos era viver\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">Come\u00e7\u00e1mos a segui-la nas redes quando iniciou o seu videodi\u00e1rio sobre a guerra entre os EUA e Israel contra o Ir\u00e3o. Quando come\u00e7ou a fazer estes relatos sobre a guerra?<\/p>\n\n\n\n<p>Comecei a registar a Guerra contra o Ir\u00e3o na guerra dos 12 dias. Nessa altura encontrava-me no Egipto. Tinha ido para o Cairo para me juntar \u00e0 campanha Marcha para Gaza, que decorreu em junho do ano passado. Alguns dos meus amigos tinham-se juntado \u00e0 delega\u00e7\u00e3o do Canad\u00e1, e eu decidi juntar-me tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>A guerra come\u00e7ou no dia em que a delega\u00e7\u00e3o deveria atravessar o Sinai e marchar at\u00e9 Gaza. Portanto, n\u00e3o participei na marcha por causa da guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu estava no Egito. Sentia-me distante do Ir\u00e3o, e as bombas ca\u00edam sobre a minha fam\u00edlia, os meus amigos e o meu pa\u00eds. Senti a necessidade de fazer algo para ser eficaz e, como tenho uma comunidade canadiana no Facebook, comecei a escrever diariamente, como um di\u00e1rio, relatos di\u00e1rios sobre a guerra. Foram amplamente partilhados e muitas pessoas os leram. Desde ent\u00e3o, comecei a fazer relatos cont\u00ednuos, mesmo depois da guerra, de vez em quando publicava atualiza\u00e7\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Porque \u00e9 que sentiu necessidade de come\u00e7ar a fazer estes v\u00eddeos?<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a guerra come\u00e7ou desta vez, senti necessidade de continuar com o di\u00e1rio, no mesmo estilo, que era uma esp\u00e9cie de mistura do quotidiano com pequenas anedotas e experi\u00eancias pessoais. Nunca tinha feito v\u00eddeos, mas falando com alguns amigos que percebem mais do assunto, chegamos \u00e0 conclus\u00e3o que seria o melhor meio para chegar a um p\u00fablico maior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Ficou surpreendida com o alcance dos v\u00eddeos? Alguns t\u00eam mais de 600 mil visualiza\u00e7\u00f5es no Instagram.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca imaginei que os meus v\u00eddeos fossem vistos por tantas pessoas. Pensei que chegaria apenas \u00e0 minha rede de contactos no Canad\u00e1, porque vivi l\u00e1 durante 15 anos e fiz muito trabalho comunit\u00e1rio. Assim, tinha qualquer coisa como alguns milhares de seguidores, uns dois ou tr\u00eas mil, no Facebook, vindos do Canad\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>A minha \u00faltima publica\u00e7\u00e3o antes da guerra come\u00e7ar foi na noite anterior ao seu in\u00edcio, porque todos n\u00f3s sent\u00edamos que aquela seria a noite em que ela come\u00e7aria. Publiquei um v\u00eddeo de um caf\u00e9 em Teer\u00e3o e escrevi algo como \u201cse houver uma guerra amanh\u00e3, lembrem-se que tudo o que quer\u00edamos era viver\u201d. No dia seguinte, perdi a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 internet, mas quando voltei, vi que muitas pessoas tinham visto aquele v\u00eddeo depois de a guerra ter come\u00e7ado, o que foi completamente inesperado para mim. Depois disso, senti uma responsabilidade. Senti que havia um desejo de ouvir os iranianos e, por estar numa posi\u00e7\u00e3o \u00fanica para o fazer, senti a responsabilidade de continuar o trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Podia-nos descrever como era o dia-a-dia sob bombardeamentos?<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as manh\u00e3s era acordada por bombas, ou melhor, se tivesse conseguido dormir, porque \u00e0s vezes os bombardeamentos duravam toda a noite. Normalmente havia duas ou tr\u00eas vagas de bombardeamentos por dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante duas semanas, fiquei com a minha av\u00f3, mas depois ela deixou Teer\u00e3o e, no resto do tempo, tentei passar o m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel com os amigos e com a minha comunidade &#8211; as pessoas que permaneceram em Teer\u00e3o &#8211; porque era muito dif\u00edcil estar sozinha durante os bombardeamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, ao mesmo tempo, acho que o ambiente geral era de calma. As pessoas n\u00e3o estavam em p\u00e2nico, nem a desesperar, nem a fugir com medo. Quer dizer, aqueles que queriam fugir com medo fizeram-no no primeiro dia da guerra. Penso que a maioria das pessoas estava apenas a tentar levar uma vida normal.Tamb\u00e9m havia manifesta\u00e7\u00f5es noturnas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Vimos imagens de milhares de pessoas a manifestarem-se diariamente nas ruas em apoio da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3o. Podia descrever essas manifesta\u00e7\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<p>Muita gente chamavam-lhes manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3-governo. N\u00e3o acho que fossem especificamente pr\u00f3-governo. Penso que eram pr\u00f3-Ir\u00e3o, e para n\u00f3s, que est\u00e1vamos sob bombardeamentos constantes, estes encontros noturnos eram uma forma de recarregar energias, de nos ligarmos aos outros e de encontrarmos coragem para enfrentar o dia seguinte. Ia \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es com os meus amigos. Tornou-se um ponto de encontro para n\u00f3s e para a nossa comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Qual o esp\u00edrito que se vivia nessas manifesta\u00e7\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<p>Todos iam \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o \u00e0 noite, e encontr\u00e1mo-nos no mesmo local, na mesma pra\u00e7a, e isso acabou por se tornar uma rotina que nos ajudou a seguir em frente durante a guerra, porque a guerra destr\u00f3i qualquer sentido de rotina. Destr\u00f3i qualquer sentido de normalidade, e as manifesta\u00e7\u00f5es tornaram-se uma forma de nos agarrarmos a alguma apar\u00eancia de rotina, normalidade e positividade para contrabalan\u00e7ar a morte e a destrui\u00e7\u00e3o que aconteciam constantemente \u00e0 nossa volta. Eram espa\u00e7os realmente positivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1vamos unidos, com o nosso povo, todos juntos. O esp\u00edrito de resist\u00eancia ao bullying que todos sent\u00edamos, \u00e0 intimida\u00e7\u00e3o, \u00e0 dor e \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica que nos eram causadas. Foi uma forma de n\u00e3o nos sentirmos desesperados debaixo das bombas. Foi um ato psicol\u00f3gico e espiritual muito importante que nos ajudou a sobreviver mental e espiritualmente aos bombardeamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Qual \u00e9 o sentimento geral da sociedade iraniana em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rep\u00fablica isl\u00e2mica?<\/p>\n\n\n\n<p>Penso que \u00e9 muito dif\u00edcil, quando falamos do povo iraniano, falar do sentimento geral ou do sentimento m\u00e9dio, porque existem diferentes tipos de pessoas. De um modo geral, precisamos de compreender que existem pelo menos tr\u00eas tipos de pessoas na popula\u00e7\u00e3o iraniana.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem pessoas extremamente antigovernamentais. \u00c9 um segmento que assiste regularmente a um canal de TV que se chama Iran International, financiado e gerido por Israel. Acreditam em tudo o que \u00e9 transmitido por este canal. Est\u00e1 cheio de mentiras israelitas sobre o Ir\u00e3o, o governo iraniano e a sociedade iraniana.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, durante a guerra diziam que Israel s\u00f3 atingia alvos militares, nunca alvos residenciais, nunca alvos civis. Bem sabemos que \u00e9 mentira.<\/p>\n\n\n\n<p>E depois h\u00e1 outro segmento, que \u00e9 o segmento muito forte pr\u00f3-governo. A maioria das pessoas encontra-se algures entre estes dois grupos. N\u00e3o s\u00e3o nem extremamente pr\u00f3-governamentais nem extremamente anti-governamentais.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria das pessoas tem algum tipo de cr\u00edtica a fazer ao governo. Na verdade, mesmo entre os que apoiam o governo, muitos est\u00e3o descontentes com diferentes coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nem toda a gente \u00e9, digamos, ing\u00e9nua o suficiente para acreditar nas mentiras de Israel, certo? Portanto, a maioria das pessoas est\u00e1 nesse chamado \u201cterceiro grupo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">\u00c9 verdade que a sociedade iraniana est\u00e1 mais unida agora do que antes do in\u00edcio da guerra?<\/p>\n\n\n\n<p>Durante os 40 dias de guerra, o chamado terceiro grupo aproximou-se do lado pr\u00f3-governo, participando em massa nos protes tos noturnos, mesmo que n\u00e3o fossem pr\u00f3-governo antes da guerra. Da parte dos antigovernamentais houve um sentimento de medo e desilus\u00e3o. Pensavam que alvos civis n\u00e3o iriam ser atingidos. Deram-se conta de que tinham sido enganados pela propaganda pr\u00f3 estado de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, diria que o sentimento geral em Teer\u00e3o era de resist\u00eancia contra \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da guerra e de tentativa de manter alguma apar\u00eancia de normalidade, e unidade em torno do nosso pa\u00eds. Diria que a sociedade do Ir\u00e3o est\u00e1 mais unida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Os media ocidentais retrataram os acontecimentos de Janeiro como uma revolta popular \u201cbrutalmente reprimida pelo regime\u201d. O que causaram esses protestos?<\/p>\n\n\n\n<p>Temos de recuar alguns passos para perceber o contexto e as origens dos protestos. Vivemos uma grave instabilidade econ\u00f3mica ap\u00f3s a guerra de 12 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>O valor da moeda iraniana come\u00e7ou a cair a pique devido \u00e0 infla\u00e7\u00e3o e o custo dos produtos b\u00e1sicos come\u00e7ou a subir. Temos um governo agora que \u00e9 essencialmente gerido por fan\u00e1ticos neoliberais, que s\u00f3 sabem fazer terapia de choque e liberalizar o mercado. Acreditam fortemente no corte dos subs\u00eddios governamentais e na privatiza\u00e7\u00e3o de tudo. A Europa e a Am\u00e9rica do Norte est\u00e3o familiarizadas com a devasta\u00e7\u00e3o que a economia neoliberal causou \u00e0s sociedades. Mas no Ir\u00e3o, ainda estamos no in\u00edcio desse caminho, onde muitas pessoas acreditam que tirar a economia do governo \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o o problema.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo come\u00e7ou a implementar terapia de choque uma ap\u00f3s outra, como a liberaliza\u00e7\u00e3o de produtos b\u00e1sicos como o \u00f3leo alimentar e o arroz, que anteriormente eram subsidiados. A implementa\u00e7\u00e3o destas pol\u00edticas corroeu a confian\u00e7a p\u00fablica e fez com que as pessoas depositassem pouca confian\u00e7a nas a\u00e7\u00f5es do governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, os Emirados \u00c1rabes Unidos &#8211; com a ajuda dos EUA &#8211; come\u00e7aram a congelar as contas banc\u00e1rias de particulares que ajudavam o Ir\u00e3o a contornar as san\u00e7\u00f5es da venda de petr\u00f3leo. Por exemplo, algu\u00e9m leva o petr\u00f3leo para a China, recebe o pagamento e, supostamente, traz o dinheiro de volta para o governo. Mas o que aconteceu \u00e9 que, muitas vezes,o dinheiro n\u00e3o regressava ao Ir\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como come\u00e7ou e quem estava envolvido nos protestos?<\/p>\n\n\n\n<p>Todos sabiam que isto ia acontecer. Houve um protesto dos comerciantes e empres\u00e1rios no bazar tradicional de Teer\u00e3o. O protesto contra a instabilidade econ\u00f3mica durou pelo menos dez dias. E n\u00e3o houve qualquer tipo de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas depois, de repente, este tipo, Reza Pahlavi, que \u00e9 agora o rosto de quem pede bombas para o Ir\u00e3o, convocou os seus apoiantes no Ir\u00e3o para irem para a rua nos dias 18 e 19 de Janeiro. Os protestos destes dois dias n\u00e3o foram contra as pol\u00edticas governamentais ou o estado da economia. Era apenas um grupo de apoiantes de Pahlavi que queria restaurar a monarquia no Ir\u00e3o e derrubar o governo, e alguns deles estavam armados. N\u00e3o estou a dizer que todos os manifestantes estavam armados. Estou a dizer que houve pessoas que vieram para a rua com pelo menos algumas armas de fogo, mas tamb\u00e9m com facas, catanas e coisas do g\u00e9nero.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que agentes da Mossad estiveram presentes nos protestos. Falavam abertamente sobre isso no twitter. Centenas de pol\u00edcias e membros das for\u00e7as de seguran\u00e7a do Ir\u00e3o foram mortos por alguns manifestantes que atacaram esquadras. Esses ataques est\u00e3o bem documentados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Como \u00e9 que as autoridades lidaram com os protestos?<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas que sa\u00edram \u00e0 rua nos dias 18 e 19 eram apoiantes de Reza Pahlavi que queriam derrubar o governo. Qualquer governo em qualquer parte do mundo reagiria de forma semelhante se um grupo de pessoas invadisse esquadras de pol\u00edcia, pegasse em armas, disparasse sobre pol\u00edcias, linchasse pol\u00edcias e assim por diante.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que nunca defenderia a pol\u00edcia acima de qualquer pessoa. Mas penso que o que aconteceu \u00e9 apenas uma rea\u00e7\u00e3o que qualquer governo do mundo teria numa situa\u00e7\u00e3o destas. A pol\u00edcia come\u00e7ou a disparar sobre quem queria derrubar o governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, foi isso que aconteceu. O clima no pa\u00eds tornou-se extremamente sombrio depois destes acontecimentos. As inger\u00eancias de Israel e Trump misturado com a ina\u00e7\u00e3o do governo iraniano levaram a esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Num dos v\u00eddeos mais recentes que postou no seu canal fala de coloniza\u00e7\u00e3o das mentes iranianas. O que quer dizer com isso?<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2009, em particular, surgiram v\u00e1rios canais de televis\u00e3o por sat\u00e9lite que produzem conte\u00fados de alta qualidade e sem an\u00fancios, em persa. Geralmente, s\u00e3o programas de entretenimento misturados com pol\u00edtica. Com um forte enfoque pol\u00edtico. Quem os financia? Estes canais conseguiram fazer com que muitos iranianos se sentissem como se vivessem no pior pa\u00eds do mundo e tentam mostrar o Ocidente como se fosse uma sociedade perfeita.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes canais esfor\u00e7aram-se tamb\u00e9m muito para restaurar a imagem da ditadura implac\u00e1vel dos Pahlavi, que durou 50 anos, e para criar uma falsa nostalgia em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o de 1979. O mesmo aconteceu na internet. O Instagram est\u00e1 repleto de imagens e conte\u00fados criados por influenciadores da di\u00e1spora que idealizam e romantizam a vida no Ocidente e transmitem este tipo de imagens aos seus seguidores no Ir\u00e3o. Existe um ataque cultural contra o meu pa\u00eds patrocinado pelos EUA.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sara Sagaii \u00e9 uma educadora e ativista iraniana. Aos 20 anos, deixou o Ir\u00e3o e foi viver para Vancouver, no Canad\u00e1,<\/p>\n<p>mas em 2021, depois de a sociedade iraniana ter sofrido profundas transforma\u00e7\u00f5es, decidiu deixar o Canad\u00e1 e regressar ao seu pa\u00eds natal, o Ir\u00e3o. Atualmente, reside em Teer\u00e3o. Durante a guerra de Israel e EUA contra o seu pa\u00eds, decidiu come\u00e7ar a fazer um di\u00e1rio em v\u00eddeo nas redes sociais para tentar mostrar a realidade vivida no terreno.<\/p>\n","protected":false},"author":159,"featured_media":10002,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[255],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10001"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/159"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10001"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10001\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10034,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10001\/revisions\/10034"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10002"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10001"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=10001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}